quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Praia - Ilha de Santiago (Cabo Verde)

Quando eu vi que o itinerário do cruzeiro incluía uma parada em Cabo Verde eu fiquei bastante animada... Já tinha ouvido falar do arquipélago, que eles falavam português e inclusive tive até curiosidade em saber preços de moradia para talvez me aventurar por lá algum dia.


Cabo Verde é um arquipélago situado na costa oeste da África, no Oceano Atlântico, é conhecido por suas praias que oferecem paisagens paradisíacas, águas cristalinas e uma rica diversidade natural. As praias de Cabo Verde variam entre aquelas com areias douradas, com dunas e formações rochosas que criam cenários únicos.


Sua colonização começou em 1462, quando os portugueses chegaram lá... Sua localização estratégica entre a África, a Europa e o Novo Mundo transformou o país em um importante centro de comércio, incluindo o triste tráfico transatlântico de escravizados... Sim, o arquipélago foi usado pelos portugueses como um entreposto para escravos capturados na costa africana e enviados para as Américas (inclusive Brasil). E isso fez o país se tornar uma mistura de povos africanos e europeus, resultando na cultura crioula que caracteriza o país até hoje.


Cabo Verde só conquistou sua independência em 1975, após décadas de luta, mas na verdade eu ainda tenho dúvidas se posso chamá-lo de um país independente...

Quando o navio atracou no porto de Praia (capital do país), localizada na Ilha de Santiago (maior e mais populosa ilha do arquipélago), eu desci ansiosa para explorar a cidade... Eu tinha oito horas para fazer o que quisesse, mas confesso que voltei para o navio muito antes do esperado, pois foi para mim uma experiência decepcionante.


O calor era sufocante (e olha que eu gosto de calor)... Mas o que me impactou mais foi a pobreza evidente por todos os lados... As ruas estavam mal conservadas, vi lixo acumulado em diversos pontos e esgoto a céu aberto sendo despejado no mar, o que trazia um odor extremamente desagradável.



Vi mendigos pedindo na rua e muitos vendedores ambulantes. As pessoas pareciam cansadas, como se carregassem nas costas o peso de uma vida dura demais, mesmo assim tinham um sorriso no rosto (único ponto positivo).


Eu queria aproveitar e conhecer mais da cultura local, então caminhei por lugares menos turísticos e conversei com alguns taxistas... Eles me disseram que todos falam o crioulo, e apenas quando vão a escola é que eles aprendem o Português (idioma oficial). No entanto, apesar da educação ser gratuita e obrigatória até os 18 anos ou conclusão do ensino médio, nem todos vão. Então é comum encontrar locais que não falam português.

A saúde também é gratuita mas segundo eles é bem precária... Vi muitas lojas que vendiam xing lings (imitação chinesa), e, sinceramente, nada me chamou a atenção.

Caminhei pelo centro histórico com suas ruas e construções antigas, vi alguns edifícios coloniais que apesar de mal preservados, guardavam traços de uma beleza antiga, também vi algumas estátuas e bustos de bronze que não consegui identificar todos...







Passei pelo mercado de frutas e verduras tentando encontrar algo exótico ou diferente, mas tudo que vi também temos no Brasil.




Então fui até o Palácio Presidencial, para ver algo mais conservado. Lá não se pode "pisar" na calçada, muito menos tirar fotos, e tenha certeza de que se você tentar, algum guarda armado vai chamar sua atenção. Terrível!

Já estive na África, em quase toda América Central e do Sul, e pude perceber o quanto a história colonial deixou marcas... Em Cabo Verde isso é bem evidente. Não pude deixar de pensar que todos os países colonizados por Portugal enfrentam problemas parecidos: pobreza, desigualdade e uma infraestrutura precária. É como se o modelo de exploração econômica daquela época tivesse perpetuado um ciclo de desajuste e abandono.

Depois de cerca de três horas andando sob o sol escaldante e sem encontrar nada que me prendesse àquela cidade, eu voltei ao navio bem antes do previsto, mas aliviada por poder descansar em um ambiente mais confortável.


É claro que entendo que Cabo Verde tem suas belezas, talvez nas praias ou em outras ilhas, mas Praia, para mim, foi apenas um retrato da dificuldade de um país que ainda parece lutar para superar um passado pesado e injusto.


Infelizmente eu deixei o lugar com um sentimento de tristeza ao invés da inspiração que esperava encontrar. E com uma certeza absoluta: a vontade que um dia tive de morar lá passou imediatamente.

sábado, 9 de novembro de 2024

Un ratito de paz!

O navio fez uma parada em Santa Cruz de Tenerife (nas Ilhas Canárias), mas dessa vez eu não buscava turismo, na verdade, eu estava fugindo de companhias inconvenientes... Então, a primeira coisa que fiz foi passar na loja que vendia produtos de cannabis e me abasteci do que precisava.


Depois, fui encontrar uma amiga que mora na ilha. Ela me buscou para uma tarde pra lá de agradável, com direito a uma hora e meia circulando de carro por paisagens de tirar o fôlego, até pararmos para comer o famoso "pulpo a la gallega", acompanhado de cerveja e sangria.

única foto tirada no caminho: Um pequeno cemitério com um belo mar azul

Conversas leves e informativas fizeram o tempo voar... Eu realmente estava precisando disso.

Vivian e eu

Obrigada, nega!

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Funchal - Ilha da Madeira (Portugal)

A Ilha da Madeira é um arquipélago português situado no Oceano Atlântico. Funchal é a capital.

A cidade foi fundada em 1508 e seu nome vem da abundância de funcho, uma planta aromática, na região na época de sua colonização. Mas diferente de Portugal,  o clima é ameno durante todo o ano, com temperaturas médias entre 16°C e 23°C, o que a torna um destino popular para turismo em qualquer estação.

O navio fez uma parada de apenas 10 horas, e como o tempo era curto, eu preferi fazer um city tour, que foi realizado em um ônibus turístico com guia em português passando e apontando alguns pontos da cidade e contando algumas curiosidades.

Ao chegar na parte mais alta da ilha visitamos um belo mirador e seguimos a aventura de descer as cestas.




Curiosidade:

Devido à geografia íngreme da ilha, em meados de 1850, houve a necessidade de uma forma rápida de transporte para levar pessoas do alto até em baixo... Era uma região residencial de famílias abastadas que decidiram criar grandes cestas de vime montadas em bases de madeira usando a gravidade para descer a encosta íngreme... Mas calma, não era de forma descontrolada, as cestas eram puxadas por dois ou mais homens, conhecidos como carreiros (trabalhadores com sapatos de sola de borracha para controlar a velocidade, empurrando e freando conforme necessário, durante a descida). Na época as estradas eram de paralelepípedos, e os pobres trabalhadores locais, muitas vezes camponeses, que levavam aquela gente rica até a parte baixa da cidade.

Com o tempo, o uso das cestas como meio de transporte tradicional foi substituído por outros métodos mais modernos, UFA! 

E a exploração do trabalho tradição das cestas se transformou em uma atração turística da ilha. Ou seja, hoje em dia, os visitantes podem ter a chance de reviver uma parte da história local e ao mesmo tempo disfrutar de uma emocionante descida. Foi o que fiz!

Os Carreiros continuam sendo homens, em grande parte, membros de famílias locais que passaram esse conhecimento e habilidade de geração em geração... E em vez de trabalharem apenas para gente rica, hoje eles aguentam turistas de todas as classes sociais (sim, tem sarcasmo).

Vestidos de branco e com chapéus para manter viva a tradição, o público hoje pode ser qualquer pessoa que pague 27 euros pela experiência.

O percurso é de 2km começando no Monte (parte alta da cidade) e terminando no bairro de Livramento, no centro de Funchal. O percurso dura cerca de 10 minutos e chegam a atingir velocidades de 30 km/h em alguns trechos. 

Apesar de ainda parecer (para mim) um tipo de exploração do trabalho humano, típico da cultura portuguesa, a experiência combina adrenalina, cultura e vistas deslumbrantes.

Posso dizer até que achei bem divertido e faria novamente.

***

Após o tour, tivemos tempo livre para caminhar um pouco pela cidade, degustar alguns vinhos e tirar belas fotos...












Eu estava reflexiva por saber que apesar de estar em um cruzeiro e conhecendo novos lugares, o objetivo final dessa travessia do Atlântico é me levar de volta ao Brasil, e eu sei que o que me espera lá não será fácil de lidar.

domingo, 3 de novembro de 2024

Voltando para o Brasil

Sim, estou voltando, não porque eu quero, mas porque preciso...

Serão 15 dias por 6 países diferentes até chegar.


 Cruzeiro Costa Pacífica

domingo, 27 de outubro de 2024

A noite que não me lembro

Esse é meu ultimo final de semana em Coleraine, e como Harry já tinha um compromisso com os amigos do rugby ontem, eu me preparei para uma noite comigo mesma... Tomei um banho demorado, hidratei meu corpo, escovei meu cabelo, cutilei as unhas, me perfumei, abri uma garrafa de vinho, enrolei um baseado e coloquei alguns clipes no Youtube para assistir...

Estava na sala disfrutando quando Harry entrou com alguns amigos, eles iam ao clube e Kiwi então me convidou para ir junto. Fiquei muito feliz, pois ia poder disfrutar um pouco mais da companhia do homem mais incrível que conheci na minha vida... Eu estava vestindo o mesmo top que usei no dia em que nos conhecemos e uma camisa branca que ele me deu.


No bar do clube eu continuei no vinho, e entre uma taça e outra seus amigos me ofereceram um shot de tequila... Estava tudo indo bem, dancei com um senhor e conversei com alguns amigos de Harry. Eu estava em pé, perto do bar, usando a barra como apoio para minha taça. Dalí eu podia ver as pessoas e observar o comportamento deles (adoro fazer isso). Lembro-me de Harry se aproximar de mim e me dar um selinho, eu fiquei extremamente emocionada com essa atitude tendo em vista que no Reino Unido eles não demostram tanto afeto publicamente como nós, e quando Harry disse "funk the PDA" e me beijou outra vez, eu senti a maior alegria que eu poderia ter sentido em todos esses meses.

Lembro-me de que em algum momento todos se reuniram ao redor de uma mesa que tinha uns empanados de camarão e outros salgadinhos... Ronnie disse que eu podia comer, mas eu não estava com vontade... Na verdade nem lembro se cheguei a comer...

Não lembro mais nada que aconteceu depois... Tenho apenas um flash de quando eu estava no banheiro do clube e escutei a voz de Harry perguntando se eu estava bem. Eu estava sentada no vaso sanitário, com a calça baixa, pois provavelmente estava fazendo alguma necessidade... A porta da minha cabine estava fechada... O chão estava todo vomitado... Não lembro mais.

Outro flash: Eu já estava na cama, na casa de Harry e ele me pedia para retirar meus anéis (sempre retiro os anéis antes de dormir, pois meus dedos incham). Achei fofo ele ter lembrado disso.

Acordei de madrugada apenas de calcinha e top, bem aquecida com o edredom... Esperei até amanhecer para tomar um bom banho, eu fedia a vômito.

Harry me falou que estávamos nos divertindo e que tomei mais shots de tequila com seus amigos. Ele disse que voltamos de táxi e ele subiu as escadas comigo nos braços, me colocou na cama e me despiu... Eu não lembro nada disso.

Me sinto frustrada em ter perdas de memória quando bebo... Eu estava tão feliz com tudo, pois estava ao lado dos amigos e pessoas que trabalham com Harry, e eu tenho medo de ter estragado toda a magia do momento dando vexame a pessoa que na verdade eu só queria que sentisse orgulho de estar ao meu lado.

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Você não é perfeito

Eu estava buscando apenas um isqueiro que funcionasse...


Foi quando, ao mexer na gaveta, me deparei com um envelope de comprimidos vazio.


Então, passou um filme na minha cabeça: minhas tentativas, minhas cobranças, minha frustração...


Um grande sentimento de culpa, misturado com pena, tomou conta dos meus pensamentos. Pena pela sua condição de saúde, sendo ainda tão jovem, e culpa por eu ter sido tão insensível em não perceber seu problema.


Aquele simples envelope me fez repensar tudo: As noites em que eu me senti rejeitada, as conversas que pareciam sempre constrangedoras, o fato de você estar sempre cansado, com dor, ou com preguiça... Agora tudo fez sentido. Percebi que eu deveria ser mais compreensiva...

Quando você chegou em casa, meus devaneios transmitiram a impressão de que eu estava irritada, mas eu estava apenas com a mente cheia...

Decidi falar sobre e não foi fácil, eu fiquei nervosa, chorosa e as palavras não vinham. O coração acelerava, mas eu sabia que era necessário. Você me abraçou e foi muito fofo.

Você disse que era algo antigo, e mesmo eu sabendo que com data de validade 2026 ele foi produzido em 2024, preferi não discutir, pois deve ser algo muito difícil para você em assumir ter essa condição.

Então, naquele momento, eu entendi o "I'll try!".

O amor exige paciência e empatia, e eu vou respeitar suas dificuldades. 

***


domingo, 8 de setembro de 2024

Dia da Independência Sexual

Se o dia 6/9 é o dia do sexo, e 7/9 é o dia da independência no Brasil, por que então não criar o meu  dia da independência sexual?


A PARTIR DE HOJE, EU DECLARO O DIA 8 DE SETEMBRO COMO O "DIA DA INDEPENDÊNCIA SEXUAL DE ALÊ"

Art. 1º Fica instituído, no calendário oficial, o dia 8 de setembro como o Dia da Independência Sexual de Alê, em homenagem à liberdade plena e irrestrita de Alê sobre sua própria satisfação sexual.

Art. 2º A partir desta data, Alê é oficialmente reconhecida como dona absoluta de sua própria sexualidade, sendo declarada livre de quaisquer necessidades sexuais impostas por terceiros, seja homem, mulher ou qualquer outra pessoa. Nenhuma intervenção externa será necessária para que Alê alcance o máximo de prazer e realização pessoal, a não ser que ela, por sua livre e espontânea vontade, decida assim.

Art. 3º A independência sexual de Alê é irrevogável e baseia-se nos seguintes princípios:

I. Autonomia Plena: Alê não necessita de ninguém para sua satisfação sexual. Sua independência é uma celebração de seu poder inigualável de controlar seu corpo e seus desejos, afirmando sua autonomia sobre sua própria sexualidade.

II. Desejo como Soberania: Qualquer participação de terceiros, homem ou mulher, em sua satisfação sexual será apenas se ela, e somente ela, assim o desejar. Alê possui o comando total sobre quando, como e com quem compartilha seu prazer.

III. Satisfação Inata: A capacidade de Alê de alcançar prazer máximo sem a presença de terceiros é reconhecida e exaltada. Seu corpo, sua mente e sua imaginação são ferramentas insuperáveis de satisfação. Cada toque, pensamento ou desejo que Alê tenha é suficiente para transportá-la a experiências de êxtase absoluto, tornando desnecessário qualquer auxílio externo.

Art. 4º O Dia da Independência Sexual de Alê será comemorado anualmente com eventos celebrando a liberdade sexual feminina, exaltando a autonomia, o prazer e o direito de cada pessoa de ser a única soberana sobre seu próprio corpo e desejos.

Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

8 de setembro de 2024.



Nota importante:

-  O controle do próprio prazer é a expressão máxima da liberdade

-  A escolha de permitir que alguém compartilhe desse prazer será sempre uma questão de seu desejo absoluto

terça-feira, 13 de agosto de 2024

Entre o Amor e a Aventura

As vezes não sei explicar o que estou vivendo...

As vezes imagino que estou sonhando...

Talvez sejam apenas meus desejos tomando forma...

***

Era uma vez uma garota chamada Alê, ela sentia uma inquietação dentro de si, um desejo insaciável de explorar e conhecer coisas diferentes, de se perder em culturas desconhecidas e de encontrar a si mesma nas estradas que cruzavam diferentes países. Ela tinha 41 anos e havia passado os últimos dois anos carregando uma mala, viajando por cidades vibrantes, praias paradisíacas e montanhas majestosas. Cada destino era uma nova página de sua história, uma nova oportunidade de se reinventar, até que...

Ela estava voluntariando em um hostel na cidade de Portrush, na Irlanda do Norte, quando esteve com Harry pela primeira vez. Ela usava uma blusa preta com um modesto decote o qual Harry não conseguia desviar o olhar. Algo o atraía como um imã...

Eles conversaram por horas, sobre viagens, filmes, música... A química entre eles era palpável, e cada palavra trocada fazia com que a tensão aumentasse... Naquela mesma noite, na casa de Harry, entre goles de vinho e tragadas de cigarros, a conversa evoluiu para toques, e toques para beijos. Beijos que começaram suaves, mas que logo se tornaram mais intensos, famintos.

Harry a levou para a cama com uma mistura de urgência e ternura. Ele explorou cada centímetro do corpo de Alê, fez um oral digno de um prêmio nobel e arrancando gemidos de prazer os dois se tornaram um, em uma dança de corpos suados, em uma sinfonia de suspiros e palavras sussurradas.

Os encontros continuaram uma vez na semana, e aumentou gradativamente por vontade de ambos. Harry a fazia sentir viva de uma forma completamente nova, como se cada toque dele fosse uma faísca que acendia uma chama em seu interior. E em sua companhia, ela encontrou algo que não sabia que estava procurando: um desejo de permanecer.

A ideia de parar suas viagens a assombrava. Alê sempre acreditou que a liberdade estava na estrada, que seu destino era explorar o mundo, mas agora, ela se via desejando algo diferente.

Mesmo assim Alê seguiu para Espanha, foi embora, depois voltou... Mas por apenas por uma semana... E foi embora novamente, dessa vez para mais longe, para o Marrocos...

Foram árduos meses até eles se encontrarem outra vez, dessa vez por duas semanas consecutivas, juntos todos os dias... Alê viu que sua jornada de autoconhecimento havia tomado um rumo inesperado. Ela percebeu que não precisava mais viajar pelo mundo para se encontrar; ela havia encontrado a melhor versão de si mesma nos braços de Harry.

Ela queria ficar, mas partiu novamente, por 3 meses...

Então decidiu voltar pela quarta vez, um ano após aquele primeiro encontro. Dessa vez por um período mais longo, sem data certa para partir...

Deixou de lado sua mala e as passagens de avião... Escolheu viver esse novo capítulo ao lado de Harry, onde cada dia é uma celebração deliciosa da simplicidade de estarem juntos.

Eles assistem a filmes e maratonam séries deitados no sofá, com suas pernas entrelaçadas e risos compartilhados eles fumam juntos, deixando que a fumaça envolva seus corpos, criando um véu de intimidade.

Harry é sexy de uma maneira que faz Alê querer tê-lo a todo momento. Ele a faz querer parar, estabelecer raízes e ver onde essa história pode levar. É um novo tipo de aventura, uma que envolve menos passaportes carimbados e mais entrega.

***

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Alexandria (Egito)

Decidimos visitar Alexandria separado do grupo, então contratamos um carro privativo saindo do Cairo. Queríamos ter mais liberdade de conhecer o lugar ao nosso ritmo, podendo decidir ficar mais ou menos tempo em cada lugar visitado, fato que não dá para fazer em excursões com mais gente. Estávamos empolgadas para ver o que restava da cidade que já foi o epicentro da civilização ocidental.


CHEGAMOS! e, imagino que Alexandre, o Grande, provavelmente deve estar se revirando no túmulo em ver no que sua cidade se tornou.


No passado, Alexandria era um oásis cultural, com ginásios, teatros, bibliotecas e mercados sofisticados que foram construídos com o propósito de atrair gregos exigentes... Hoje, a arquitetura do abandono com prédios inacabados e fachadas descascadas atrai pombos, trânsito caótico e vendedores insistentes tentando nos empurrar souvenirs de qualidade duvidosa.



Nosso primeiro destino foi as Catacumbas de Kom El-Shoqafa, que é um cemitério em baixo da terra, e como amo visitar cemitérios, claro que me empolguei. O lugar é um impressionante labirinto subterrâneo onde romanos e egípcios do passado resolveram misturar suas tradições funerárias.





Lá podemos encontrar sarcófagos egípcios com decorações romanas e uma pitada de arquitetura grega. Um verdadeiro mix funerário.











Em seguida, fomos ao Teatro Romano de Kom El-Dikka. Na época dos romanos, devia ser um espetáculo assistir a peças e discursos nesse teatro de mármores trabalhados. Hoje, não acontece mais nenhum evento cultural no local. E boa parte ainda está sendo escavada por arqueólogos na busca de mais resposta quanto a vida e morte de Alexandre, pois até a data de hoje, ainda não encontraram seu túmulo.







Seguimos para a Biblioteca de Alexandria, lugar mais esperado por nós. A original foi fundada no século III a.C. para atrair a população grega e promover o funcionamento da corte. Passou por várias destruições desde incêndios, terremotos e ataques por ordem religiosa... Então, em 1995, o governo egípcio junto com a UNESCO resolveram reconstruí-la através de esforços econômicos de vários países europeus, americanos e árabes. O prédio atual foi finalizado em 2002, é muito bonito e moderno, parece uma espaçonave pousada no meio do caos urbano.






A nova biblioteca tem milhões de livros além de uma grande quantidade de obras digitais e recursos para pesquisa, a maioria sobre o Islamismo. Só falta convencer os taxistas locais de que conhecimento é mais valioso do que buzinas.









Fizemos uma pausa para almoçar em um restaurante com vista para o mar. Nos serviram pão, patês e salada, seguidos do prato principal que foi um arroz escuro com filé de peixe empanado. Estava muito bom.






Finalizamos o dia em Qaitbay, que ocupa o local onde um dia brilhou o lendário Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. A fortaleza é bonita, bem preservada e tem uma vista espetacular do Mediterrâneo. Foi a cereja do bolo! Deu até para imaginar navios chegando cheios de mercadorias e marinheiros embriagados discutindo filosofia. 













Hoje, vemos vendedores oferecendo "autênticos" papiros made in China e locais pedindo para tirar fotos com turistas diferentões (tipo eu hahaha).



No fim, Alexandria foi uma experiência curiosa. Ainda que esteja longe de seu esplendor passado, tem seu charme caótico e decadente. Alexandre, o Grande, pode ter sonhado com uma metrópole refinada (o que deve ter sido em sua época), mas a realidade atual é outra. Os antigos gregos precisaram de ginásios e bibliotecas para se sentirem em casa, hoje o que nos trás aqui é o resquício do que eles viveram. 

Assista no meu Instagram como foi esse dia: Egito